2013 ESTÁ AÍ
Como o ano passou depressa! Voou. Parece que festejamos o Ano Novo na semana passada e eis ele aí de novo. O que este novo ano nos trará? Vamos nos preocupar com e situação da indústria de calçados que, afinal, é o objeto desta coluna.
Por mais que a gente se esforce, por mais que queira semear o otimismo, marca registrada do ministro da Fazenda, não dá para fechar os olhos para o horizonte coberto de nuvens negras. O ano de 2012 já nos deu uma pequena amostra das dificuldades que teremos pela frente. Produção industrial caindo, exportações em queda livre, falta de mão-de-obra (quem diria!) especializada, impostos escorchantes, produtividade baixa, consumo incentivado irresponsavelmente, deixando as famílias com mais de 40 % de renda comprometida com dívidas, infra-estrutura caindo aos pedaços. Soma de tudo isso deixa pouco espaço para otimismo.
Da parte dos empresários, poucos avanços na qualidade de gestão e de produtividade foram feitos neste 2012. A grande maioria ainda está sem saber como proceder diante de uma situação que não tinha precedentes no passado. Por isso preferem ficar parados na zona do conforto, esperando alguma luz para ver que rumo devem tomar, revivendo a eterna ilusão de que a Couromoda ou a Francal vai salvar a Pátria.
Usei a palavra “gestão”. É um termo pouco conhecido e menos ainda aplicado na industria de calçados brasileira, com pouquíssimas exceções. Índices de produtividade, no mínimo cinco vezes menores do que dos nossos concorrentes asiáticos estão nos deixando sem competitividade. Lá onde os asiáticos produzem calçados em questão de horas, nossas indústrias ainda precisam de dias ou até de semanas! – Competir como? Esperar que o governo barre as importações para acobertar a nossa incompetência?
Há uma necessidade urgente e vital para reformular a indústria desde a base. Desde o desenvolvimento dos produtos com vistas à economia e operacionalidade, passando por gestão da produção até a comercialização, que está fundamentada nos hábitos do século passado. Tudo mudou, menos a mentalidade da grande maioria dos empresários do setor.
A época de grandes indústrias de calçados com a produção de milhares de pares por dia se esgotou. Basta ver as dificuldades por que estão passando alguns dos grandes produtores. Para combater os nossos concorrentes, tanto estrangeiros quanto os nacionais, temos que adotar o pensamento do terceiro milênio. No caso particular da indústria de calçados brasileira a receita se resume a poucos itens: qualidade, conforto, originalidade, grande valor agregado, flexibilidade para acompanhar as tendências do mercado e um serviço de atendimento perfeito. Em resumo: produzir menos e ganhar mais!
Cada um destes itens, obviamente, é composto de numerosos detalhes de execução, mas nada que possa assustar uma empresa bem organizada e equipada. Tenho prova disso em várias empresas onde presto a minha assistência. Já foi perdido muito tempo esperando por alguma definição, que não veio e não virá, porque está fora do nosso alcance mudar o cenário econômico, tanto nacional como o global.
O que se pode fazer de imediato? Analisar bem a capacidade tanto de criação como de produção. Fazer uma pesquisa de mercado para descobrir os nichos mal atendidos ou não atendidos de uma vez. Acreditem que existem e são muitos! Mas para descobrí-los é necessário sair da zona de conforto, colher as informações de primeira mão no mercado, viajar. Não adianta passar as noites navegando na Internet. Se está na Internet já chegaremos atrasados. Mercadoria já está na rua andando.
Estou ajudando no momento, entre outras, uma indústria no lançamento de produto exclusivo, inclusive para mercado exportador. Este desenvolvimento envolve a procura de materiais novos, pesquisas técnicas, certificação pelas entidades estrangeiras etc. tudo o que garantirá a primazia no mercado. É mais que lógico que os imitadores virão em massa. Mas sempre serão só imitadores. O lançador original é que terá a vantagem de ser o primeiro e o melhor, porque teve tempo de preparar, com todo o detalhamento técnico, um lançamento perfeito.
O empresário em questão, brincando, me disse: mas não vai publicar isso na sua coluna! É óbvio que não vou dizer do que se trata, mas tenho por obrigação de indicar para os outros o caminho para a saída de uma situação difícil, que desponta no horizonte de 2013. Repito, que não será um ano fácil e que ainda teremos saudade do 2012, que tanta gente rezava para acabar logo.
Zdenek Pracuch
31/12/12