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ADEUS 2005 ! Adeus, adeus – e ainda vamos ter saudade deste ano que já foi. Não consigo compartilhar a esperança otimista de muita gente para o ano 2006. Nada em torno da gente e, principalmente, na indústria de calçados justifica alguma esperança de um ano melhor. Ano de eleições? Ano da Copa do Mundo? E daí? Em janeiro de 2005, Francisco dos Santos, dono da Couromoda, numa entrevista á revista Tecnicouro, previu as dificuldades para a indústria de calçados nos próximos cinco a dez anos, devido ao crescimento da China no setor. Os fatos se precipitaram. “Chico” foi otimista demais. Não passou um ano e a crise já bate na porta de muitas fábricas. Principalmente no Rio Grande do Sul. E não é culpa só do dólar desvalorizado. Está faltando mercado externo, que já foi ou está sendo tomado, por quem? Pela China. Aqueles que não conseguem mais exportar se voltam para o mercado interno, aumentando ainda mais a pressão sobre o mercado, que por sua vez já está sendo invadido na calada da noite pelos importados. – Neste cenário, o que podemos esperar do ano 2006? A resposta para esta pergunta pode ser encontrada no artigo escrito pelo Antonio Britto, ex-governador do Rio Grande do Sul e hoje presidente da Azaléia, atualmente a maior fábrica de calçados do Brasil, e publicado no Estado de São Paulo no dia 4.12.2005. Vale a pena transcrever alguns trechos, escritos por alguém acima de qualquer suspeita e quem tem acesso a informações de primeira mão: “Parece ironia. Um dos primeiros e mais bem-sucedidos setores exportadores do Brasil – o de calçados – vive uma profunda crise, logo agora que o País acaba de obter um extraordinário desempenho em seu comércio externo. Vinte mil desempregados, empresas exportadoras fechando, redução no número de fábricas que seguem se dedicando ao mercado internacional e – o pior de tudo -, a indústria brasileira começa a exportar empregos, passando a comprar produtos na China. Não há hoje uma grande ou média empresa do setor que não cogite de importar produtos da Ásia. O Brasil, para que se possa avaliar a concorrência, exporta 200 milhões de pares por ano (Britto que me desculpe, mas á bem menos), a China 30 vezes mais, nada menos que 6 bilhões de pares. Mais ainda, o crescimento da produção chinesa tem sido equivalente a de um Brasil por ano! “ Antonio Britto ainda tece outras considerações que, como um bom político mantém dentro de certos limites, não criticando abertamente a ingenuidade da política exterior, nem a política econômica do governo Lula. Como ele diz: “Somos, para a alegria dos chineses, italianos e demais concorrentes, generosos provedores de matéria-prima básica – o couro – com que nos enfrentam internacionalmente. O ponto seguinte é o cumprimento pelos governos dos compromissos financeiros, relativos a créditos de exportação. Os recursos para tanto poderiam vir do último ponto: um combate para valer do contrabando, da pirataria e da sonegação, que hoje ocupam ao menos 30% do mercado brasileiro de calçados. E retiram dos governos cerca de R$ 235 milhões por ano em impostos. – Ironicamente o que hoje está em dúvida não é saber se seguiremos exportando mas se exportaremos calçados desenvolvidos e produzidos no Brasil, ou calçados brasileiros Made in China. Ou seja: se em vez de calçados passaremos a exportar empregos ...” Depois desta exposição dizer mais o que? Repetir que ainda vamos ter saudade do ano 2005? É óbvio que ninguém vai fugir da luta, embora as nossas armas sejam limitadas. Muitas fábricas já praticam enxugamento e racionalização das operações. Muitas fábricas já estão preocupadas em criar produtos de maior valor agregado, estudando nichos especiais do mercado. Muitas fábricas já estão reformulando a política de vendas e do atendimento para dar maior flexibilidade e credibilidade ás suas empresas. Mas a grande questão permanece: o que fazer nas indústrias de grande produção ou pequenas e médias, de artigos populares, as mais afetadas pela invasão dos importados de preços imbatíveis? A resposta para esta pergunta é a questão de vida ou de morte. - A despeito de tudo: FELIZ ANO 2006. |
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