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PARA MEU AVÔ

Zdenek Pracuch (1927-2013) - foto: Sid Pracuch
Quando era pequeno,
Você me pegava no colo,
e eu me sentia seguro e amado
E para mim era o MELHOR Avô que poderia existir
Que me fazia sentir orgulhoso de ser seu neto.
Sua influência e sabedoria eram o meu guia.
E apesar de todos os meus defeitos,
Sei que você sentia orgulho de mim.
Agora um vazio, nada mais será o mesmo.
Não só para os que te amam,
mas também para todos os que serão privados
de um dia ter o enorme prazer de te conhecer.
Vovô,
Não se preocupe connosco,
Nós ficaremos bem.
Você e vovó
Nos criaram, nos guiaram.
Somos o resultado de todos os seus conhecimentos e ensinamentos.
As memórias.
O carinho e o amor.
Irão mante-lo sempre presente
Ao nosso lado e dentro de nossos corações.
Sid Pracuch
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Zdenek Pracuch (1927-2013)
foto: Marcos Limonti/Comercio da Franca
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POLÊMICO
Morreu Pracuch, sapateiro, consultor calçadista e
colunista do ‘Comércio da Franca’
Luiz Neto - Editor
Morreu em São Paulo, capital, na Unidade de Terapia Intensiva do Instituto do Câncer, dia 20, sábado, 22h45 horas, o tcheco Zdenek Pracuch, aos 85 anos. Consultor calçadista e “sapateiro”, como gostava de ser chamado, era colunista voluntário deste Comércio.
Pracuch teve câncer intestinal diagnosticado em 2011. Submeteu-se a cirurgia em Franca e, poucas semanas depois, ainda que paciente de tratamentos quimio e radioterapêuticos, retomou suas atividades. Ao final do ano passado, constatada grave recidiva, foi levado pela família para São Paulo e ao Instituto do Câncer, sendo, lá, submetido a nova cirurgia.
Mesmo enfraquecido, não deixou de colocar suas ideias no papel. Manteve, com rigor, a periodicidade de sua coluna semanal das terças-feiras neste Comércio. Enviava duas ou mais colunas de uma única vez. “Escrever me é lazer e exercício de responsabilidade, além de ajudar também neste tratamento que, mesmo sem querer, me aconselham a fazer. Se vocês deixarem, permaneço escrevendo”. Permaneceu.
O recrudescimento da doença o atingiu fortemente, também em função da idade. Conversei com ele em várias oportunidades nestes últimos meses, mas jamais o senti entregue ou preocupado com o que poderia lhe advir. Continou escrevendo. Seus últimos textos falaram sobre Produtividade. Dividiu o tema em quatro partes e enviou todas. O Comércio publicou a última parte terça-feira passada. Não houve novo envio. Seu último texto coincidiu com sua última semana de vida. Foi metódico, pela última vez.
Este rigor de organização e responsabilidade, Pracuch vivenciou em toda a sua vida. Não agradou a todos ao longo dos 71 anos que dedicou à atividade de consultor. Teve fieis e constantes seguidores, assim como opositores. A todos, tratava com a mesma fidalguia, elegância e educação. Sua discordância, mostrava, às vezes, em fina ironia, mas sem destratar quem quer que seja. Até recentemente, ainda dedicado à consultoria em Franca, Jaú, Birigui (SP) e Nova Serrana (MG), viajava de carro, a partir de Itajubá (MG), onde residia, ele mesmo ao volante. Perguntei-lhe, um dia, como...? E ele, “vou devagar, observando as regras de trânsito, preocupado em fazer por mim e para quem vem lá. E vou cantando. Essa é a receita. Então, vou e volto.”
Pracuch chegou a Franca na década de 60 pelas mãos do industrial Wilson Sábio de Mello, que o descobriu participando da instalação de uma esteira de trabalho na Bahia. Wilson tinha certeza que esteiras poderiam ser usadas para fabricar calçado. Recebeu de Pracuch a sinalização de “boa ideia”. Wilson o trouxe para a cidade, lhe deu mesa ao lado da sua em seu próprio escritório. As esteiras foram implantadas junto aos conceitos de gestão e produção das Organizações Bata, tcheca como Pracuch, uma das principais indústrias de calçados do mundo. A história da Samello se tornou o que se tornou.
Pracuch se aproximou também do Comércio da Franca. Seus textos, incitantes à modernidade, publicados semanalmente na seção chamada ‘Brasil em Discussão’, alcançaram audiência rapidamente. Fez leitores fieis e críticos contumazes. Não havia unanimidade quanto às previsões feitas pelo consultor, mas dezenas de críticos ferrenhos se renderam à sua capacidade de analisar cenários. Isso o levou a mais trabalhos de consultoria, que se estenderam a outras empresas da cidade e indústrias de várias regiões do Brasil. Com a chegada da idade, foi menos ao exterior mas continou mantendo relacionamento próximo com incontáveis de seus companheiros da Bata e especialistas de sua rede de relacionamento nos quatro cantos do mundo.
Em 20 de maio de 2008, convidado pelo Comércio, tornou-se colunista periódico, assinando seus textos como “Zdenek Pracuch, sapateiro”. Foram mais de 260 publicações. Somadas, configuram moderníssima análise do setor calçadista nacional, ênfase nos problemas vividos pelas indústrias francanas.
Foi casado por 65 anos com Marie Pracuchova, também tcheca, a quem deixa viúva. Do enlace, nasceram Zdenek Roberto Pracuch, residente em Guimarães, Portugal; Milan Mário Pracuch, residente em Osasco (SP) e Thomas Pracuch, residente em Fortaleza (CE).
(Artigo publicado no jornal Comércio da Franca - 23/04/13)
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ATÉ JÁ, MEU VELHO
Pracuch se foi. Fui seu editor nos últimos cinco anos. Aprendi uma enormidade lendo seus mais de 260 textos, incomparáveis aulas de gerência industrial de calçados, produtividade, controle de gastos, comercialização, qualidade e, sobretudo, modernidade.
Era um escritor compulsivo. Sua mente competente, lógica, certamente lhe cobrava ‘botar para fora’ o que considerava ter que compartilhar. Nos cinco anos em que o editei, nunca deixou de enviar duas ou mais colunas por semana. Era fonte inesgotável, didática, objetiva, referencial. Carlos Alberto Rosa Brigagão, diretor da Sândalo, sempre disse que “a indústria de calçados de Franca foi uma e tornou-se outra, melhor, depois de Pracuch’. Não houve quem não o conhecesse, fosse para amar ou odiar. Ele dizia o que tinha que ser dito, doesse a quem doesse, invariavelmente acertando. Sua capacidade de análise setorial nunca se contestou. Quem tentou, teve que rever.
Era um típico e culto europeu, cavalheiro, ético, cidadão, forjado pelos séculos de história do Velho Continente. Há alguns insights que quero compartilhar com meus leitores, em saudação e respeito à sua memória:
DETERMINAÇÃO – Em visita que me fez em outubro de 2012: “Não há escapatória. Acabo de ler médico mexicano, especialista em câncer. Concordo com ele. Abrevia-se, mas há casos sem solução. Continuo atento a meu espírito. A casca não vale nada. Continuo trabalhando e produzindo. O que mais deveria fazer?” Dias depois, liguei, pedindo endereço para enviar exemplar do livro 100 anos de Paixão - A história da A.A. Francana, escrito pelo jornalista Sérgio Marques deste Comércio, e o filme Fernão Capelo Gaivota, baseado em livro do escritor Richard Bach, um dos de cabeceira de Pracuch – ‘a história da gaivota determinada, que hoje está aqui e amanhã ali, assim como eu’. Foi taxativo: “Não mande. Vou buscar pessoalmente”.
VISÃO DA MORTE – Escreveu-me, em 25 de março de 2013: “amanhã vou fazer o último exame no Instituto de Câncer e, depois de amanhã, ouvirei o veredicto se ainda vale a pena (...) ou me despachar direto para necrotério.” No mesmo dia, enviou-me quatro textos de colunas, a série Produtividade. Publiquei em 28 de março, 2, 9 e 16 de abril. Percebam: quatro colunas, nenhuma a mais, para quatro terças-feiras. Ele morreu dia 20 de abril, sábado. Metódico até na previsão do que lhe restava de vida...
ESPERANÇA NA INDÚSTRIA – ‘O que prende as empresas (...)? Acomodação, medo de inovação, tradição, falta de instrução, de orientação? O que é preciso para que isso mude? Um tsunami para sacudir as mentes? Perdoem-me a impaciência. Já estou no fim da vida e queria fechar meus olhos com sentimento de tranquilidade, acreditando que a indústria de calçados brasileira, à qual dediquei 60 anos da minha vida profissional, irá sobreviver.” (Na coluna ‘Produtividade 2’, publicada em 24/03/2013), leia aqui.
‘VOU FALHAR...’ – 18 de abril de 2013, dois dias antes de sua morte. Conversamos ao telefone, sua fala baixa, cansada. “Continuo no tratamento que me impõem. Por mim, já teria parado há muito tempo”. Não havia tristeza ou preocupação em sua voz. Quis incentivá-lo: seu livro e o filme continuam comigo. Você prometeu que viria buscar... Riso curto, fina ironia sempre afiada: “Ah, Luiz. Acho que vou falhar em um compromisso pela primeira vez em minha vida...” Penso que Pracuch foi em paz, consciente que fez o que devia. O homem é suas ideias, para sempre. Imagino-o, aliás, com o mesmo sorriso irônico (agora maroto?) em conversas lá com Deus, o Todo Poderoso tentando se virar para posicionar-se frente às polêmicas relevantes do velho sapateiro.
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br
Comercio da Franca - 27/04/2013
Dona Marie, viúva de Pracuch, ligou esta semana para agradecer ao GCN pelo carinho dos relatos sobre sua morte. Também, às muitas mensagens direcionadas à família através do GCN.net e por leitores deste Comércio. Não precisava, dona Marie. Pracuch continua vivo através de suas ideias e das práticas industriais que ensinou a tantos quantos quiseram ouvi-lo.
Luiz Neto - Comércio da Franca 12/05/13
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ZDENEK PRACUCH
Grande perda para o setor de calçados, triste perda para leitores, admiradores e seguidores. Minha solidariedade aos familiares - Lucia Helena Maniglia Brigagão - Comércio da Franca
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O Brasil perdeu um pensador e um realizador que muito contribuiu para o desenvolvimento da indústria calçadista. Seus artigos, publicados no Comércio bem que poderiam dar origem a um livro, eternizando o pensamento, a visão diferenciada e crítica, além de muito atual desse especialista.
Júlio Antônio Tristão -
Franca - SP
Lamento por sua passagem. Homenageio este amigo pelo excepcional profissional, e, mais ainda, pela pessoa que foi. Muito obrigado, senhor Pracuch!
Paulo Couto -
Franca - SP
Mais um homem de valor se vai, deixando descalços aqueles que mais precisavam de seus conselhos.
Juarez da Silva Campos - Pedregulho - SP
Triste. Um estudioso da gestão moderna com ideias nem sempre compreendidas. Tive oportunidade de entrevistá-lo e conversar com ele inúmeras vezes. Aprendia sempre. Condolências à família.
Soraia Veloso -
Franca - SP
Perdemos, seguramente, uma das melhores cabeças pensantes do ramo calçadista. E eu perdi um grande amigo, um verdadeiro guru! Que Deus o ilumine, meu querido amigo!!!
Matheus Ferreira e Kátia -
Nova Serrana - MG
Espero que a família tenha o acalento do espírito iluminado que o Sr.Pracuch tinha, pois este ser humano era algo acima do termo humano era espiritualmente iluminado. De uma forma que só transmitia conhecimento e paz a todos que o conheceram.
Meus pêsames.
Amanda Rekoba
Querido Sr. Pracuch, e família.
Hoje infelizmente fiquei sabendo de sua partida. Acho que Deus estava precisando de mais um mestre para “ajudá-lo”.
Não sei como expressar minha profunda gratidão e ajuda profissional e principalmente espiritual a quem sempre me ensinou, sou péssimo em palavras, mas hoje sei que estou caminhando melhor devido aos seus ensinamentos e ”puxões de orelhas”, como seguir, lembrando de suas palavras, suas idéias, colocações e matérias.
Deus o colocou em nossa vida desde 2005, Vou sentir falta de nossos longos almoços e conversas das mais variadas possíveis e o Sr. me tornando a cada dia um homem melhor com seu exemplo. Era difícil acompanhar um Sr. de mais de 84 anos com tamanha inteligência e lucidez perfeita. Esta lembrança terei eternamente.
A vocês da família que tiveram o privilegio de telo a seu lado, meus mais sinceros sentimentos pela pessoa que ele é. Fica aqui minha gratidão eterna por tudo que o Sr. Representa a nossa empresa Primavera.
Neste momento de dor que vocês familiares estão passando, nós amigos também estamos sentido a mesma perca irreparável de um verdadeiro “pai” que o Sr. Pracuch foi para minha pessoa.
Agradeço Deus e a todos por ter convivido com ele pessoalmente desde 2005.
A todos vocês que Deus dê paz e saúde
Muito obrigado meu querido amigo Sr. Pracuch
Ricardo Delbem – Botinas Primavera
To the family of Mr. Pracuch
Please accept my deep condolence on the passing of Mr. Pracuch.
I had the honour of knowing and learning from him on his visits to Trinidad.
I will sadly miss him, but the memory of him and his teachings will always be with me.
My sympathy and prayers are with you all.
Best regards
Martin Hatem -
Sports and Games Limited - Trinidad Tobago
Sentimentos à família.
Dispensa-se comentários sobre o amigo Pracuch. A pessoa, exemplo e inspiração que ele foi.
Deixará uma lacuna grande em seu círculo de amizades e admiradores. E sobretudo na indústria brasileira que deve muito a ele.
Um forte abraço carinhoso da família Sândalo.
Em anexo, uma das fotos dele que guardarei com muito carinho.
Téti
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Familia Pracuch!!
Gostaria de transmitir meus sentimentos pelo falecimento do Sapateiro Pracuch.
Ele foi um amigo, um mestre, uma pessoa que aprendi a gostar sem muito esforço. Ele nunca disse não para um convite meu p/ um bate papo.
Eu admirava seu poder de argumentação, seu conhecimento, sua franqueza e principalmente sua preocupação com a Gestão do setor calçadista de Franca e do país.
Quando nos encontrávamos, eu literalmente o sugava de tão bom que era trocar experiências com ele.
Esse vazio, jamais será preenchido. E tenham certeza que ele continuará sendo lembrado e citado em inúmeras oportunidades quando o assunto gestão, qualidade, desperdício, planejamento vier a tona em situações diversas.
Nesse momento, recebam minhas sinceras condolências.
Se me permitem, respeitosamente, estarei orando por ele e por vcs.
Um grande e fraternal abraço!!
Nelson Barbosa Jr. - Calçados Rafarillo
Bom dia Milan,
Meu nome é Wilson José Tristão e tive a grata satisfação de conhecer seu pai, desde a época que trabalhei para o Martiniano e ele para a Nike. Depois
de muitos anos nos reencontramos na empresa Orcade/Franca. Foi nesse momento
que nossa amizade se estreitou, em face da afinidade de pensamentos, tanto
na área profissional quanto na espiritual.
A notícia do desencarne do meu amigo Pracuch chegou somente ontem
(segunda-feira). Minhas orações são para que ele se restabeleça rapidamente
na pátria espiritual, junto aos amigos e familiares que lá estão, e que
possa seguir sua evolução de forma brilhante, assim como ele o fez no nosso
plano.
Fico triste de perder um amigo nos almoços que tínhamos aqui em Franca
(restaurante Dona Octalina), mas, certamente, sei que nossa amizade
perdurará em outras dimensões.
Muita paz pra vcs, filhos e sua mãe (que tive o prazer de conhece-la numa
viagem à Nova Serrana).
Que Deus ilumine a todos!!!!
Wilson José Tristão e família -
Franca - SP
Milan Mário. Olá.
Meus sentimentos a toda familia especialmente a Dona Maria. Sentirei muitas
saudades e lembrarei dele nas minhas orações .
obrigado .
Dirlene Diniz - Calçados ADDAN
Sr. Pracuch,
Onde estiver, fique com Deus, e muita paz!!!
Agradeço-lhe imensamente, em nossos contatos, a atenção dedicada e a extrema gentileza, que me fizeram admirá-lo tanto.
Um grande abraço.
Geórgia Costa - Brasilia - DF
Uprimnou soustrast, je to naprosto
neocekávané. Byl to jeden z Batovcu, na kterého jsme byli hrdi, protoze stále
pracoval a vzdy v duchu starých batovských zvyklostí.
Opravdu uprimnou
soustrast.! Bude nám chybet !
S pozdravem,
Jindriska Jaburková a
Ing. Svatopluk Jaburek
Zlin - Ceska Republika
Milí Pracuchovi, přijměte upřímně mou soustrast nad odchodem pana Zdenka. Mamince/Bětce/Vaši zprávu okamžitě předávám.
Za celou rodinu Vaškovu z Valašska - Jiří Vašek
Ceska Republika
Pracoval vždy bez únavy, klidu sobě nedopřál,
za vše dobré, co vykonal, tichý spánek buď mu přán.
Hodně síly k překonání toho, co v životě nemůžeme změnit.
Přijměte naši upřímnou soustrast.
Bohumil a Pavla Janíkovi
Zlín -
Ceska Republika
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