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O CALCE PERFEITO DO CALÇADO PARA CRIANÇAS. Le Centre Technique Cuir Chaussures Maroquinerie (CTCCM) de Lyon, França publicou o mais recente estudo sobre o calçado infantil dedicado à adequação do calçado para crianças até sete anos de idade, aos pés em desenvolvimento. Há três aspectos a considerar sobre o calçado de crianças: - Deve ser esteticamente agradável, - Deve oferecer suporte adequado pelo calce e tamanho, - Deve atender aos aspectos morfológicos e ao pé individual. Especificações para calçados de criança: O período mais sensível no desenvolvimento do pé é a idade entre 9 a 12 meses, quando a criança começa a andar. Esta sensibilidade permite á criança a coleta das informações sobre a estabilidade, equilíbrio e deslocamento, necessárias para o ato de andar. Por este motivo o calçado não deve, de modo algum, restringir o desenvolvimento do pé. Para as crianças de 1 a 3 anos, quando o pé cresce, mas os ossos ainda são calcificados só parcialmente, o calçado não deve restringir este crescimento, embora deve ser suficientemente firme para proteger os ossos salientes do tornozelo. Nesta idade, a criança deve calçar calçado estruturado, que a auxilie encontrar o equilíbrio e oferecer certa firmeza no deslocamento. É interessante notar, que pouquíssimas crianças nascem com algum defeito nos membros inferiores, mas menos de 40 % de adultos tem pés sadios. Isso se deve principalmente ao uso de calçado inadequado na idade juvenil. Recomendações para a idade de 1 a 3 anos (tamanhos 18 a 23): Os calçados para estas idades deveriam ser do tipo botinha, até a altura do tornozelo para oferecer um suporte adequado. Comprimento – não deve prejudicar o crescimento do pé. É recomendável um acréscimo de 7 a 10 mm de espaço livre no bico. Não mais que isso, porque isto deslocaria o ponto de flexão do calçado em relação á junta do metatarso. Bico do calçado – crianças pequenas têm, em geral, o dedão de tamanho maior, o que as ajuda no equilíbrio. É necessário assegurar bastante espaço para ele, para que os dedos não sejam amontoados, o que poderia levar ás anomalias, como as unhas “encravadas”. Na área da junção dos ossos de dedos com os de metatarso, em hipótese alguma a área pode ser menos que a média dos pés normais estabelecida em tabelas próprias. Parte traseira – deve obedecer ás medidas da tabela para cada tamanho. CTCCM atualizou as tabelas existentes e adaptou-as ao desenvolvimento dos pés das crianças da nossa época. Forma do salto – para distribuir corretamente o peso e oferecer estabilidade é recomendada a largura de 45 mm na relação com a parte traseira. Entrada do pé – deve obedecer á linha natural de entrada entre a frente e a parte traseira de calçado com tolerância de 5 – 8 mm. Esta parte deve ser bem ajustada para oferecer o suporte ao arco. Atenção: de modo algum deve suspender e suportar o arco do pé! Relevo da sola – uma tolerância máxima de 3 mm é aceita no sentido longitudinal, para evitar instabilidade, quando a criança está apreendendo a se equilibrar. Recomendações para idade de 3 a 5 anos (tamanhos 24 – 27): Em comparação com o primeiro grupo de crianças, as crianças nesta idade são muito mais dinâmicas. Torna-se necessário respeitar o fato de que o pé continua com seu desenvolvimento, mas a altura do calçado pode ser mais baixa do que o foi para o grupo anterior. Comprimento - deve ser igual ou um pouco maior que o tamanho específico. Bico do calçado - assim como no grupo anterior, deve oferecer bastante espaço, para os dedos não serem forçados a se sobrepor, para evitar unhas “encravadas”. A altura da forma sobre a qual é montado o calçado, é medida de acordo com as tabelas atualizadas, para permitir um espaço suficiente para estrutura do pé na junção dos ossos dos dedos com os do metatarso. Parte traseira - deve obedecer á medida da tabela de circunferência e de altura. Entrada do pé – deve obedecer ao arco natural do pé, com tolerância de 5 mm na parte da frente e de trás. Relevo da sola – sem prejudicar o desenvolvimento e movimentos do pé, a sola pode ter um acréscimo de 4 – 6 mm na frente e de 5 – 8 mm atrás. Recomendações para a idade de 5 a 7 anos (tamanhos 27 – 33): O pé está ficando mais estruturado e definido. Está ganhando em flexibilidade e arco começa a se formar alongando o pé em algo como 5 mm. O calçado começa a parecer mais com o dos adultos e é nessa idade que começa a ficar aparente a diferença entre os pés de meninos e de meninas e fica evidente a necessidade de ter calçado específico para cada sexo. Os pés das meninas se definem mais depressa que os dos meninos e é nesta idade onde devem começar a ser produzidos os calçados para meninas sobre formas mais finas e com saltos mais acentuados, embora ainda baixos. Recomendações do CTCCM para calçados de tamanhos 27 – 33: Para grupo desta idade dever-se-ia considerar a numeração diferenciada para cada sexo . (Na Europa, como no Brasil esta diferenciação não existe. Existe nos E. U. da América.) Esta diferença é mais acentuada na largura do pé (condição anatômica) e na altura do salto (condicionada pela moda). A partir desta idade, as solicitações sobre o calçado são quase iguais ás solicitações dos adultos. Além daquilo o que CTCCM sugere, cabe observar que na numeração americana esta diferença de numeração existe há cem anos e temos distinção entre “Boys” e “Misses” onde 12 ½ Boys é igual á 1 de Misses (numeração americana). O tamanho 1 de Boys é 13 mm maior do que o tamanho 1 de Misses, praticamente dois pontos franceses. Alguns fabricantes brasileiros de formas não consideram a numeração de formas com muito rigor, e nem os industriais calçadistas, com poucas exceções, prestam devida atenção ao aperfeiçoamento de formas no sentido anatômico. A atualização das tabelas é necessária, porque é evidente, que os pés das gerações mais novas são maiores e mais volumosos. A última tabela científicamente elaborada foi a alemã AKA 64, de 1964, que hoje ainda é usada, porém, com bastante tolerância. No Brasil nunca foi feito um levantamento similar, o qual encontraria muitas dificuldades para chegar a um denominador comum, devido á diferenças étnicas entre diversas regiões. Os pés dos sulistas diferem substancialmente dos pés dos nordestinos, o que deve valer igualmente para os pés das crianças. Quem sabe, no futuro, alguém se decide patrocinar um trabalho neste sentido? |
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